Adeus, Rio Grande…até a volta!

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Penso no exercício do desapego.
Desapegar-me de coisas materiais é um exercício árduo, mas que, com perseverança e leveza de ser, lentamente, vou conseguindo. O difícil para mim, é desapegar meu olhar dessas paisagens de água que há 4 anos me alimentam os olhos, das pessoas que me alimentam a alma, do alarido dos pássaros nas manhãs em que ainda estou deitada, do silêncio azul das tardes, do perfume de jasmins da casa de meu filho, de parte de minha família que aqui deixo com o coração partido, das rodas de mateado entre os amigos, deste Rio Grande que se entranhou em meu destino e que agora vou deixar. Mas, agradeço por cada dia que aqui vivi e a todas as pessoas que tornaram meu cotidiano tão rico de emoções e novos aprendizados. Desligo o computador para encaixotá-lo, mas não poderia fazê-lo sem esta última mensagem de gratidão e de afeto. Te amo, Rio Grande! Aqui eu fui plenamente feliz! Até a volta!

     

    Tempo Submerso por Carmen Silvia Presotto

    A Solovki-chegada-3 Solovki: neblina e a paisagem dos barracões do alojamento feminino no Gulag, Rússia

    Uma carta, uma leitura, um encontro…

    Querida Ludmila!
    Que surpresa tive. Num dia de jogo do Brasil, chegou-me teu livro pelo correio. Conto, que já li, emocionada. Tuas palavras resgatam a história de um tempo que parecia apagado, mas sabemos: “Tempo Submerso”, tatuado, conVersado, observado, amado… o amor de transmissão, uma pedra de teu avô que lapidou em ti o mais puro amor, o amor que do amor ama e escreve, descreve, conta, reconta, faz e refaz o que parecia estar em esquecimento.
    E… hoje depois de reler minhas anotações em “Tempo Submerso”, reescreveria o poema Pisares, colocaria nele uma epígrafe: “pedras são os ossos da terra” e dedicaria meus versos a Ivan Fiodorovich Saharov, um avô que lembra a voz do meu, seres que nos lembram que quem do amor ama, nunca serão silêncio, mas rumo e foz, eternos caminhos aos que virão.

    Pisares

    Existe um sono a que chamo silêncio

    velho mapa
    de onde voam meus pés
    vento

    em que me espelho momentos
    existe um tempo em que desperto memórias
    terras

    em que calço meus rastros
    fendas
    onde soluço meus ossos…

    Carmen Silvia Presotto – Postigos, Vidráguas – 2010.

    Sublimar é o maior tempo do amor, e a ARTE maior é feita disso, deste tempo submerso, que ao vestir as sombras com novas cores, iluminam melhores olhares ao mundo.

    Um beijo, gracias pelo livro e leitura.

    Carmen.

    Porto Alegre, junho de 2014.

    Tempo Submerso na Nobel Tempo Submerso na Livraria Nobel

       

      Cenário de vento de suas idéias

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