Tempo de delicadeza

21927_497261430304370_42883249_nMaio: mês das noivas, mês das mães. Mês feminino em sua essência de sonhos, rituais, festas, presentes e mais presentes!
Penso em como as coisas mudam numa “velocidade estonteante”. Não, não vou censurar as festas nem falar de hábitos de consumo que, neste nosso nascente século XXI, interferem e se refletem até nos sentimentos. Eles também mudaram!
Hoje, a maioria das noivas entra na igreja como se entrasse num show. Seu show particular. Antes, ensaios, lista de padrinhos, lista de presentes, testes de cabelo e maquiagem, escolha de cardápios, de trilha musical para a festa que precisa ser, no mínimo, apoteótica, superlativa, inesquecível, sob os aplausos dos parentes e convidados. Mas, a vida não é uma festa permanente, e a promessa de “até que a morte os separe” precisa mudar urgentemente para “até que a vida a dois os separe”.
Pergunto então: mas o quê foi que deixamos ficar pelo caminho?
Creio que os casamentos ganharam em glamour, mas perderam em delicadeza, magia, intimidade, na qual o amor deveria ser o principal protagonista.
O mesmo ocorre com o dia das mães. São tantas as mensagens que falam de amor incondicional, tantas declarações pelo facebook, pelo WhatsApp, pelo twitter…que o sentimento se banaliza! Lojas comemoram o salto quântico nas vendas de presentes, floriculturas têm filas de espera, assim como os restaurantes onde as famílias, em peso, comemoram o dia dela: o dia da mãe!
Críticas? Nenhuma! Apenas a constatação de que vivemos novos tempos em que aprendemos a demonstrar o amor, não mais pelo sentimento em si, mas como exigem as regras ditadas pela mídia.
Pergunto de novo: Onde ficou a delicadeza de uma flor deixada junto à xícara de café, que surpreende e nos emociona em qualquer dia não marcado na folhinha? Onde o presente da simples presença, ali, curtindo o domingo sem qualquer compromisso, que não seja o de apenas estar junto, em harmonia, celebrando a grande dádiva de partilhar a vida junto a quem nos trouxe à vida?
Parece que a emoção, hoje em dia, vivenciada unicamente na intimidade, junto a quem amamos, já não nos basta mais. Urge escancará-la, partilhá-la com o mundo inteiro, anuncia-la nas redes sociais, sob os holofotes de um grande evento, como que para validá-la: “Mundo, veja como eu amo e celebro o amor!”
Ah! Que saudade desse tempo de pequenas afabilidades, invisíveis ao mundo, mas, ao mesmo tempo tão enternecedoras, trocadas de coração para coração, sem tantas testemunhas oculares. Um tempo que suaviza a alma, renova os votos, nos faz sentir vontade de voltar sempre à companhia amada, seja dos pais, seja dos companheiros, para revigorar os sentimentos e acreditar piamente que existe um tempo que “refaz o que desfez”.
É o que penso. Abraços a todos!
(Ludmila)
Crônica Publicada na revista Absollut

       

    Exercício para treinar ausências

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    Exercício para treinar ausências

    Adentrar o esquecimento
    e caminhar por suas ruas nuas
    Sem tempo nem roteiros.
    Adentrar o esquecimento
    e, sem lágrimas, celebrar
    o vácuo de memórias.
    As pedras sobre os olhos
    O silêncio sobre os lábios.
    Adentrar o esquecimento
    e, no limbo, anelar um verbo
    virgem de sentido e ver cada coisa
    renascer com novo nome e espírito
    E, novamente, das trevas ver surgir a luz!
    (Ludmila)

      

      Os Sentidos

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      O olhar é o primeiro que chega.
      É o primeiro que toca as paredes caiadas da memória.
      É o primeiro que se apercebe do lugar. Olhar de dentro.
      Depois, o olfato. Ele distingue os aromas já extintos: o cheiro da poeira que se acumulou nas frestas, nas cortinas esvoaçantes de filó, o sal dos oceanos entranhado nelas.
      Depois o tato. Palavras atingem a pele, os poros, rompem a carcaça da carne, penetram nas dobras do tempo e, com olhos felinos, me espreitam. Que aves de rapina comerão os restos de meu texto?
      Depois o paladar. Escrevo nesta vastidão de águas e de areia que saboreio. Palavras rompem o limo em minha boca e recobrem de saliva as letras que lhes dão vida. Apartadas de mim, cansadas de perambular pelos labirintos da mente, elas escapam e vão se alojar em novas histórias. Antes, eu as beijo na boca e então, deixo que partam. (Ludmila)

        

        Olhos de gato

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        Olhos de gato

        “Os chineses veem as horas pelos olhos dos gatos. Certo dia, um missionário, passeando no distrito de Nanquim, notou que havia esquecido o relógio e perguntou as horas a um rapazinho.
        (…) Decorridos alguns momentos, reaparecia, segurando em seus braços um gato muito gordo; e, fitando o animal, como se usa dizer, no branco do olho, afirmou sem hesitação:
        _ Ainda não é exatamente meio dia.
        E era verdade.”

        (Baudelaire)

            

          O Rio e o Mar

          James Storer: Arcos da Carioca com a Rua Matacavalos  Internet

          James Storer: Arcos da Carioca com a Rua Matacavalos Internet


          Amigos que me leem.
          Gostaria de sugerir-lhe, aos que preferem o recolhimento nestes dias de reinado de Momo, uma obra magnífica, escrita por uma pessoa que admiro muito: Tereza Campos. É um romance épico, que se passa no Rio de Janeiro, no início do seculo passado, e que tem por título O Rio e o Mar.
          Sou testemunha de seu nascimento e da vasta pesquisa desenvolvida por Tereza, para adaptar os personagens a um período histórico ímpar, onde ficção e realidade se casam e se intercalam, nos apresentando a um Rio de Janeiro que sofre todas as consequências para adaptar-se à modernidade na passagem do Império para a República recém instituída.
          Nada melhor do que a própria autora apresentar-nos à sua obra:
          Aos leitores: O Rio e o Mar em palavras breves
          O Rio e o Mar se passa em grande parte na cidade do Rio de Janeiro de 1904 e conta a vida de dois casais: as esposas cometem adultério, um marido conspira contra o governo e o outro o combate enquanto faz tráfico de influência.
          A prescrição do banho de mar, atividade somente terapêutica por essa época, é o estopim dos conflitos das esposas e a aprovação de leis de reforma urbana dá origem à trama dos maridos.
          Outros personagens enredam-se nessa teia de desejos, ambições e embates e os dramas pessoais de todos alcançam seu ponto máximo quando uma revolta popular eclode e um golpe de Estado se põe em marcha na cidade do Rio.
          Se você gosta de enredos de época, de saber mais sobre os idos de outrora, de se enveredar por temas sensíveis, inclusive aqueles relacionados ao livre-arbítrio e ao poder, O Rio e Mar é a escolha certa. Oferece-lhe cenas belas e a oportunidade de se emocionar, rir, pasmar e refletir diante de um passado que espelha questões íntimas e públicas que mais parecem as dos dias atuais.
          Boa leitura,
          A autora
          http://www.orioeomar.blogspot.com.br/2014/11/o-mar-capitulo-um-1904.html

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