Pessoas queridas!
Publico para vocês as fotos de meu lançamento em São José dos Campos, no dia 17 de maio, na sede da Editora Netebooks.
Foi uma noite, realmente, inesquecível, cheia de amigos, flores e carinho.
Agora, estarei lançando o Tempo Submerso dia 26, sábado, às 16:30 na Feira da Mantiqueira, em São Francisco Xavier, com mediação de debates de Dirce Araújo, que promete ser mais um dia muito especial. As fotos são de meu amigo Gilberto de Freitas (Ludmila)

Tempo Submerso em SJCampos
Pessoas queridas!
Amanhã estarei em São José dos Campos, para o coquetel de lançamento do Tempo Submerso em São José dos Campos, na sede de minha Netebooks Editora, à Av. Barão do Rio Branco, 284.
Hoje, recebi de presente uma seção de fotos com o fotógrafo Lucas Lacaz Ruiz, nesta casa linda onde estarei aguardando por seu abraço. Até lá, fiquem com mais um capítulo de meu Tempo Submerso. (Ludmila)
O mito de Sísifo
“Mitos são feitos para a imaginação soprar vida neles”
(Albert Camus)
Na literatura grega, Sísifo, foi condenado pelos deuses a realizar um trabalho inútil e sem esperança por toda a eternidade: empurrar sem descanso uma enorme pedra até o alto de uma montanha de onde ela rolava encosta abaixo para que este herói mitológico descesse até o sopé e a empurrasse novamente até o alto, indefinidamente, numa repetição monótona e interminável do mesmo trabalho através dos tempos. Por algum motivo, os deuses imaginaram quem não haveria castigo pior para puni-lo que o trabalho inútil e sem esperança.
Tomar consciência do caráter insensato dessa punição, da inutilidade de tanto sofrimento e cumpri-la é descobrir o absurdo da condição humana. Por que somos condenados? Por quem? Em razão de que crime?
Como viver depois de ter consciência de que se está condenado a empurrar uma pedra montanha acima sabendo que ela tornará a cair?
Em Solovky, tal e qual no anátema de Sísifo, que os guardas aplicaram instintivamente, também os prisioneiros eram obrigados a transportar de um lado para outro, imensos blocos de pedras, e depois, devolve-los ao mesmo lugar. Eram forçados ainda a carregar pesados troncos de madeira, ou, em outra versão para o mesmo castigo, levar e trazer, incessantemente, tambores de água. Era um trabalho insano, sem qualquer justificativa ou utilidade prática. Aqueles que fraquejavam ou tentavam argumentar contra, eram sumariamente fuzilados.
No inverno, aleatoriamente, costumava-se deixar os presos amarrados nus às pedras geladas e abandonados sob a chuva e as nevascas, para o deleite dos guardas que neles atiravam apenas para ferir e observar, de longe, o seu sofrimento.
No verão, eram atados aos troncos de árvores e expostos à nuvens de pernilongos que se banqueteavam em seus corpos, sem emitir um único gemido. Outra forma de sadismo disciplinar, muito difundida e relatada pelos que lograram escapar desse inferno, era colocar o “infrator” no centro de enormes formigueiros que se formam nas florestas e ficar observando sua lenta agonia.
Esses requintes de sadismo constituíam-se na ante-câmara do inferno, onde os condenados purgavam seus pecados. Pecados de terem nascido no lugar e no momento histórico errados. Pecados de não compartilharem da ideologia de seus algozes.
(Ludmila Saharovsky)
Tempo Submerso no MAV
Amigos queridos!
Ainda estou sob a emoção do sucesso do primeiro lançamento de meu livro Tempo Submerso que aconteceu no MAV – Museu de Antropologia do Vale do Paraíba, em Jacareí.
Os salões ficaram repletos de amigos queridos que vieram me abraçar.
Agradeço a todos pelo carinho, pela atenção, pela alegria da presença.
Dia 17 de maio lanço na sede de minha editora, Netebooks, em São José dos Campos.
As fotos de Adilson Machado, Valtinho Pereira e Livingstone Maynardes registram os melhores momentos. (Ludmila)

Tempo Submerso, lançamento
Pessoas queridas!
Ando meio ausente da Net por conta de organizar-me para recebê-los, neste sábado,
em noite de encantamento da amizade, em nosso Museu de Antropologia do Vale, em Jacareí,
para celebrarmos a escrita, a memória, a história.
Até lá, os abraço com carinho e os deixo na companhia de mais um recorte de meu Tempo Submerso…
“Dedushka (avô), de que tamanho é a sua saudade?” Perguntei-lhe um dia, lá atrás no tempo.
“Do tamanho desse punhado de terra” ele me respondeu, abrindo um pequenino pote e segurando alguns seixos e areia em suas mãos.
Movida, então, por essa necessidade interna, eu cravo minhas unhas naquele solo e recolho algumas folhas secas, pequenas pedras, areia fina e as guardo num lenço de papel.
Levanto-me, mas ainda me falta coragem. Começo a caminhar lentamente, tentando aguçar outros sentidos, e, de olhos fechados, revivo momentos de terror.
Momentos em que aquele portão se abria para tantos condenados. Momentos em que, fitando os olhos dos atiradores, sabia-se que a morte era inevitável.
Momentos de agonia, dentro da cova profunda, o ar faltando nos pulmões, o baque da terra sobre os ossos…e depois…Meu Deus! Haveria um depois? Quem sabe o depois seria fazer parte intrínseca dessa floresta, do perfume das sempre vivas, do alarido dos pássaros.
Um toque leve em meus ombros me arranca daquele devaneio. Olhos de um azul límpido me fitam e sorriem.
“Você é a nossa visitante do Brasil?” “Eu a estava observando lá do jardim.”
Vamos entrar. Seja bem vinda a este solo sagrado. Eu sou o padre Kiril.”
(Ludmila Saharovsky)
Tempo Submerso: Lançamento!
Tempo Submerso
Tempo Submerso
Pessoas queridas!
Lanço meu livro Tempo Submerso, a princípio, no Vale do Paraíba, agora nos dias 12 de maio em Jacareí, e em 17 de maio em São José dos Campos. Publico para vocês, a capa e o convite. Ficarei muito feliz em recebê-los e abraçá-los! (Ludmila)
Parte I
Solovietskie Ostrova
Estou absorta na pequena embarcação balançando sobre as ondas do Mar Branco.
O vento intermitente e úmido me fustiga. É verão, mas a temperatura de oito graus me obriga a enterrar a cabeça no gorro de lã grossa e a proteger o rosto com o capuz do sobretudo enquanto observo o ocaso naquela madrugada clara, sob o Círculo Polar Ártico. Uma luz difusa ilumina a noite e a transforma num cenário raro. Mal o sol se põe e já se levanta. Assim, dia e noite não se delimitam, ao contrário, alternam-se, sem o contraste de luz e trevas a que estou acostumada. Este espetáculo me fascina: Noites Brancas.
Percebo que alguém me observa. Viro e vejo, envolta pela neblina, uma mulher que aparenta ter a minha idade. Ela também está só naquele tombadilho. “Vem com os romeiros?”, pergunta. “Não. Não sou peregrina. Venho à procura de meus mortos”, respondo. Ela balança a cabeça num sinal de que entende a razão de eu estar ali. “Mas você não parece russa!”. Sorrio. “E você, vem a passeio?” “Também não. Trago a minha mãe. Ela busca a sepultura de seu pai. Parece que ele foi executado na ilha.” Fitamo-nos, depois, o mar. Assim ficamos em silêncio por algum tempo até ela apontar para uma luz que lentamente se materializava no horizonte: Solovki.
Meu corpo estremece e a emoção me paralisa em meio à neblina que tão pouco revela. O pequeno espaço é tomado pelos viajantes. Todos querem ter a primeira visão reveladora do arquipélago. Mais um pouco e as cúpulas arredondadas e brancas do Monastério Ortodoxo despontam delineando aquele espaço santo, onde sob o domínio dos Bolcheviques, em 1920, instalou-se o primeiro e o mais temido Gulag soviético. Comoção. Algumas mulheres, com lenços coloridos na cabeça, fazem o sinal da cruz. Outras apertam as mãos sobre o peito. Os homens fumam. Pigarreiam. Tiram fotos. O barco balança muito em meio às ondas vigorosas. Há passageiros que passam mal. O capitão abre caminho e joga as grossas cordas para os marujos que já o aguardam no cais. O alvoroço se instala. Cada um se prepara para deixar a embarcação. Atracamos. Olho o relógio. São três horas da manhã. No mastro, o ícone de São Nicolau sobressai em cores fortes. (Ludmila Saharovsky)

Rota das Charqueadas
Hoje, fizemos a Rota das Charqueadas em Pelotas e conhecemos duas propriedades maravilhosas: a Charqueada Santa Rita (construída em 1826) e a Charqueada São João (construída em 1810).
Charqueada é o nome que se dá no Rio Grande do Sul, à área da propriedade rural em que era produzido o charque, utilizando para isso o trabalho dos escravos.
A consolidação dessas grandes propriedades rurais de caráter industrial, deu-se no século XIX, às margens dos arroios Pelotas, Santa Bárbara e canal São Gonçalo.
O gado, matéria-prima, era proveniente de toda a região da campanha rio-grandense e era fruto da multiplicação de exemplares trazidos pelos espanhóis para a Banda Oriental no início do século XVII.

A safra era sazonal e durava de novembro a abril. As charqueadas tinham em média 80 escravos, ocupados nos intervalos da safra em olarias nas próprias charqueadas, derrubadas de mato e plantações de milho, feijão e abóbora nas pequenas chácaras que cada charqueador possuía na Serra dos Tapes, onde ficam hoje a Cascata e as colônias de Pelotas.(Fonte Internet)

Hoje, A Rota das Charqueadas é opção de turismo. Além das visitas monitoradas às residências, pode-se fazer também um passeio pelas mansas águas do Arroio Pelotas, de onde se avistam as moradas que faziam parte do ciclo do charque.
O nome da cidade, Pelotas, originou-se das rústicas embarcações utilizadas pelos nativos na travessia dos rios, confeccionadas com o couro animal e quatro varas corticeiras. Essa embarcação, semelhante a uma cesta, ou a uma bola, possuía uma corda que era colocada feito cabresto, na boca dos escravos, que a conduziam a nado, pelo rio.

Charqueada Santa Rita
Esse rio maravilhoso, era conhecido no século XIX como Rio Vermelho, pois recebia todo o sangue do abate das toneladas de animais, das mais de 40 Charqueadas lá existentes.
Charqueada São João – Aqui foi filmada a série “A casa das Sete mulheres”

Foi um domingo e tanto! Espero que vocês também tenham aproveitado,virtualmente, o passeio. Abraços! (Ludmila)
Paisagem na neblina
Que montanha e essa que vejo como se sonhasse, com seus picos sólidos adormecidos na paisagem? Catedral de pedra, recortada no cenário, ela perpetua seu mistério na superfície dos dias. Ser ancestral, moldado em terra, pouco a pouco ela me absorve e aprisiona em seu ventre e me povoa com sua historia de abismos. Nela reencontro a mulher. Ela continua só e me aguarda. Caminha em minha direção, os pés descalços, o corpo silenciado pela quietude dos sentidos, com a cor da desesperança preenchendo o olhar. Mulher outra, mas tão minha conhecida! Observo-a por entre as palavras. Ela é una com as falésias, e eu a ouço e compreendo. Ah! Quero tocar em seus cabelos, pegar entre as minhas as suas mãos, e conduzi-la para além dessas pedras, onde, independente de sua vontade, gestou-se esta paisagem na qual ora me encontro. Talvez eu pudesse fazê-la sorrir, envolve-la com meu carinho, faze-la perceber o frágil equilíbrio entre o passado e o futuro, mas não! Perdi-me dentro de mim, num deserto sem saída que se instalou em minha alma perplexa. E agora, estou aqui, parada, olhando para seu vulto que se reflete nesses espelhos de pedra, hipnotizada por sua presença. Então, a mulher me toma mansamente pela mão e juntas penetramos nesse universo de pedra entalhado na neblina. O tempo abre-se então, numa paisagem de outrora. Sinto o corpo todo estremecido pelas emoções reprimidas. Vomito minha dor, grudada há anos na garganta e grito: Por quê? Por quê? E essa pergunta é a chave que me permite abrir uma passagem em sua alma e penetrar enfim no mistério! Seu rosto desliza pelo tempo, e eu passo a enxergar através de seus olhos, repletos de espanto, a sentir suas emoções, a aguardar, pacientemente, a revelação dos fatos. Observar o sol nascer do mesmo ponto, todas as manhãs, o espaço infinito de água, a sonhada liberdade, a impossível fuga desta ilha de pedra, minúsculo ponto perdido na imensidão do mapa. Olhando para ela, espelhada em mim, eu penso: E agora? O que farei com essa paisagem inscrita também em seu destino? Saberei contar nossa história?
Ludmila Saharovsky
(trecho de meu diário escrito em Solovki, em 2003)

















































