Os Sentidos

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O olhar é o primeiro que chega.
É o primeiro que toca as paredes caiadas da memória.
É o primeiro que se apercebe do lugar. Olhar de dentro.
Depois, o olfato. Ele distingue os aromas já extintos: o cheiro da poeira que se acumulou nas frestas, nas cortinas esvoaçantes de filó, o sal dos oceanos entranhado nelas.
Depois o tato. Palavras atingem a pele, os poros, rompem a carcaça da carne, penetram nas dobras do tempo e, com olhos felinos, me espreitam. Que aves de rapina comerão os restos de meu texto?
Depois o paladar. Escrevo nesta vastidão de águas e de areia que saboreio. Palavras rompem o limo em minha boca e recobrem de saliva as letras que lhes dão vida. Apartadas de mim, cansadas de perambular pelos labirintos da mente, elas escapam e vão se alojar em novas histórias. Antes, eu as beijo na boca e então, deixo que partam. (Ludmila)

    

    Olhos de gato

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    Olhos de gato

    “Os chineses veem as horas pelos olhos dos gatos. Certo dia, um missionário, passeando no distrito de Nanquim, notou que havia esquecido o relógio e perguntou as horas a um rapazinho.
    (…) Decorridos alguns momentos, reaparecia, segurando em seus braços um gato muito gordo; e, fitando o animal, como se usa dizer, no branco do olho, afirmou sem hesitação:
    _ Ainda não é exatamente meio dia.
    E era verdade.”

    (Baudelaire)

        

      O Rio e o Mar

      James Storer: Arcos da Carioca com a Rua Matacavalos  Internet

      James Storer: Arcos da Carioca com a Rua Matacavalos Internet


      Amigos que me leem.
      Gostaria de sugerir-lhe, aos que preferem o recolhimento nestes dias de reinado de Momo, uma obra magnífica, escrita por uma pessoa que admiro muito: Tereza Campos. É um romance épico, que se passa no Rio de Janeiro, no início do seculo passado, e que tem por título O Rio e o Mar.
      Sou testemunha de seu nascimento e da vasta pesquisa desenvolvida por Tereza, para adaptar os personagens a um período histórico ímpar, onde ficção e realidade se casam e se intercalam, nos apresentando a um Rio de Janeiro que sofre todas as consequências para adaptar-se à modernidade na passagem do Império para a República recém instituída.
      Nada melhor do que a própria autora apresentar-nos à sua obra:
      Aos leitores: O Rio e o Mar em palavras breves
      O Rio e o Mar se passa em grande parte na cidade do Rio de Janeiro de 1904 e conta a vida de dois casais: as esposas cometem adultério, um marido conspira contra o governo e o outro o combate enquanto faz tráfico de influência.
      A prescrição do banho de mar, atividade somente terapêutica por essa época, é o estopim dos conflitos das esposas e a aprovação de leis de reforma urbana dá origem à trama dos maridos.
      Outros personagens enredam-se nessa teia de desejos, ambições e embates e os dramas pessoais de todos alcançam seu ponto máximo quando uma revolta popular eclode e um golpe de Estado se põe em marcha na cidade do Rio.
      Se você gosta de enredos de época, de saber mais sobre os idos de outrora, de se enveredar por temas sensíveis, inclusive aqueles relacionados ao livre-arbítrio e ao poder, O Rio e Mar é a escolha certa. Oferece-lhe cenas belas e a oportunidade de se emocionar, rir, pasmar e refletir diante de um passado que espelha questões íntimas e públicas que mais parecem as dos dias atuais.
      Boa leitura,
      A autora
      http://www.orioeomar.blogspot.com.br/2014/11/o-mar-capitulo-um-1904.html

           

        Lá e de volta: Diário de Moscou

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        Ah…como é bom poder tocar de novo a infância, olhando esta paisagem pela janela: O pomar carregado de macieiras. No vaso de boca larga, flores recém colhidas no campo. Sobre a mesa da sala, posta para o lanche, a sempre presente geléia de morangos (feita em casa) o bule de água quente para o chá e o insubstituível pote de torradas. Tudo tão familiar e íntimo. Tudo tão presente nesta tarde que desce, vestida de sol, sobre a casa hospitaleira na qual me encontro. Sombras de rostos conhecidos afloram de dentro da claridade, interrogando-me sobre tantos caminhos que já trilhei. Inquirindo-me sobre atos, razões, sentimentos. Sobre os vivos e os mortos. Não! Agora não…Eu peço! Não me perguntem nada! Deixem-me ficar apenas, ancorada neste silêncio! Permanecer assim, despida de qualquer raciocínio, nesta relação pura com a quietude de corpo e alma. Sem movimentos. Sem respostas. Sem compromissos. Tomada unicamente pelo prazer de saber-me em sintonia para maravilhar-me novamente com cores, sons, texturas. Livre para mergulhar no universo de uma outra casa, aquela, da infância, embutida na memória, abrindo portas muito devagar para não quebrar o encantamento. Para poder sentir de novo a vibração particular e única que alguns espaços produzem e refletem em nós. Estremecer de alegria incontida ante a visão do ícone da Virgem de Kiev, iluminado pelo lampadário, das ameixas e peras sumarentas guardadas na fruteira, da abundancia de pão e mel na mesa sempre posta da cozinha, a toalha de flores miúdas e vermelhas, bordadas em ponto de cruz pela avó. Abraçar cada livro, cada foto, cada quadro, cada bibelô. Rever cômodo por cômodo e sua mobília improvisada. Perambular pelos recantos secretos do jardim, reconhecendo plantas e insetos. Sentar-me à velha escrivaninha colocada no terraço e reler os diários escritos em caligrafia ainda não muito definida, por uma menina que anelava um futuro feliz, e o obteve. Com alguns contratempos, é claro,mas, noves fora, as somas e divisões deram sempre certo. Toco-me, como que em busca de um reconhecimento. Toco-me do passado. Toco-me plena de ternura pela mulher que surgiu, o rosto aberto às inevitáveis tempestades. E também às tardes de sol poente, como esta. Toco-me e entro em contato com todas as mulheres que me precederam nesta família na qual nasci. Relembro seus temores, suas lutas, suas vitórias. As lágrimas de saudade pela vida que se deixou para trás, do lado de lá do oceano. Os aventais sujos de farinha, os domingos passados na faxina, a leitura de poemas infantis de Puchkin, à luz daquele abajur artesanal que imitava um cogumelo. E sombras de mãos inventando cenários nas paredes povoadas de Babas Yegás e fadas salvadoras. Toco-me e uma vertigem me atravessa a alma. Esta sou eu, no futuro, resgatando minha própria história. Esta sou eu, viajando pela pátria de meus antepassados, alimentando-me de saudades e descobertas. Esta sou eu, sou todas nós, tomando chá de jasmim numa datcha longínqua reunindo passado e presente que tecem meu futuro. Sim, esta sou eu!
        Ludmila Saharovsky Moscou 2003

          

          Para onde vai o amor que se perde?

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          http://www.contioutra.com/historia-de-kafka-e-menininha-da-boneca-perdida-em-berlim-para-onde-vai-o-amor-que-se-perde/
          Fiz a pergunta no meu face: Para onde vai o amor que se perde?
          Aqui estão algumas respostas:
          Regina Lucia Arantes Dipp Não se perde…nos ensina um amor melhor!
          Manoel Ricardo Jurema Ele não se perde, mas se transforma. É uma energia que flui sem parar. Caso o fluxo encontre um coração fechado, se transforma e muda a trajetória, seguindo outros rumos, provocando outros efeitos. É o princípio da condução de energia sem fim. Em muitos casos, vai até o Universo e retorna mais intenso.
          Maximiliano Piccina Coloca embaixo de uma pedra, em um lugar afastado, e nunca chegue perto do lugar.
          Maria De Bragança Acho que Manoel Ricardo Jurema definiu muito bem. E volta pra vc. se der espaço pra ele.
          Eliane Peixoto O amor, quando verdadeiro, nunca se perde.Vive de si mesmo…
          Lírio Do Campo O amor verdadeiro não sei se acaba se perdendo, mas pode murchar, ser sufocado por escolhas e atitudes (ou sua falta).Porém, se a gente ama amar, pode deixar a vontade da entrega reservada para um outro alguém que esteja disposto a se despir do medo de amar.
          Roze Pimentel Você quer um pouco de amor? Toma-me. Sou todo seu. Assim como um Fenix, diante da aceitaçāo, êle se sente mais vivo que nunca. Será que estou delirando?
          Livingstone Maynardes Acho que fica “adormecido”. Quando retorna, se transforma em amor verdadeiro.
          Birma Vicentin Amor não se perde, espalha-se. E espalha-se tanto que dá a ilusão de perdido. Um truque da alma pra nos obrigar a nos encontrarmos conosco sempre e sempre, cada vez que saímos de nós para reencontra-lo! Daí o encontramos em tantos lugares…e pessoas! Dureza é quando aceitamos que está perdido!
          Everson Romero Cada Amor que pulsa em um coração é uma Estrela a luzir no Céu. Cada Amor que se apaga em um coração, é uma Estrela que se apaga. Os Amores que morrem viram buracos negros, tal como as Estrelas que já não mais brilham, tornam-se antimatéria, o que se expandia, agora se contrai até se auto engolir, por isso é sempre mais interessante que os Amores que findam se tornem Amizades ou ao menos não virem inimizades. O que um dia nasceu, cresceu e se expandiu, deve continuar se expandindo, do contrário, promover-se-á o movimento reverso e o Universo irá regredir…
          Leila Maria Capucci Abdalla O amor não se perde, transformasse em energia positiva, espalhada no Universo.
          Luciana Ferreira Acho que ele adormece…
          Elke Lubitz frestas da vida…
          Daniela Cambuzano Tia Lu o Manoel Ricardo Jurema definiu bem…mas concordo com o Livingstone Maynard e com a Luciana Ferreira, acho q fica adormecido…
          Marco Antonio tbm concordo ele adormece.
          Eliana Fonsi acho que fica escondido num canto do coração pra não doer!
          Manoel Ricardo Jurema Eu ainda penso que quem fica adormecido é o próprio coração, como que anestesiado, entorpecido….porém, o amor, como energia fluente, continua passando e fluindo, como as águas que contornam as pedras num riacho, sem que suas trajetórias sejam interrompidas. Quando eu disse anteriormente que o amor, quando volta do Universo com mais intensidade, ele volta tão forte e intenso, que muitas vezes, consegue romper as mais duras cascas cardíacas…tanto bate, até que fura. Tanto bate, até que desperta…
          Maria De Bragança Na maioria das vezes, quando é um amor de verdade, fica guardado no coração pra poder dar motivos pra SAUDADE aflorar.
          Alicia Domínguez O Amor si foi Amor, não se perde.Permanece em nós, batendo, esperando um melhor sol que o acolhe e da chuva que sacíe sua sede em justa medida….e volta.
          Sílvio Ferreira Leite Penso que o amor se transforma em outra forma de amar.
          Elaine Rocha Nenhum amor se perde. O amor que voce da, fica em voce para sempre.

          Eu acredito que ele vá à casa da esperança, que lhe ensina como retornar… (Lud)

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