Tempo Submerso por Carmen Silvia Presotto

A Solovki-chegada-3 Solovki: neblina e a paisagem dos barracões do alojamento feminino no Gulag, Rússia

Uma carta, uma leitura, um encontro…

Querida Ludmila!
Que surpresa tive. Num dia de jogo do Brasil, chegou-me teu livro pelo correio. Conto, que já li, emocionada. Tuas palavras resgatam a história de um tempo que parecia apagado, mas sabemos: “Tempo Submerso”, tatuado, conVersado, observado, amado… o amor de transmissão, uma pedra de teu avô que lapidou em ti o mais puro amor, o amor que do amor ama e escreve, descreve, conta, reconta, faz e refaz o que parecia estar em esquecimento.
E… hoje depois de reler minhas anotações em “Tempo Submerso”, reescreveria o poema Pisares, colocaria nele uma epígrafe: “pedras são os ossos da terra” e dedicaria meus versos a Ivan Fiodorovich Saharov, um avô que lembra a voz do meu, seres que nos lembram que quem do amor ama, nunca serão silêncio, mas rumo e foz, eternos caminhos aos que virão.

Pisares

Existe um sono a que chamo silêncio

velho mapa
de onde voam meus pés
vento

em que me espelho momentos
existe um tempo em que desperto memórias
terras

em que calço meus rastros
fendas
onde soluço meus ossos…

Carmen Silvia Presotto – Postigos, Vidráguas – 2010.

Sublimar é o maior tempo do amor, e a ARTE maior é feita disso, deste tempo submerso, que ao vestir as sombras com novas cores, iluminam melhores olhares ao mundo.

Um beijo, gracias pelo livro e leitura.

Carmen.

Porto Alegre, junho de 2014.

Tempo Submerso na Nobel Tempo Submerso na Livraria Nobel

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