Encontros fantásticos II

A agitação tomou conta de nós, mas precisávamos acalmar-nos, dormir e descansar da longa viagem, e assim resolvemos fazer, mas não sem perguntar, antes, à senhora, quem deixara o envelope.
“Foi trazido por um mensageiro.”
“A senhora o conhece?”
Um sorriso de total aquiescência foi a resposta. E nos bastou.
“Amanhã indico a vocês a rua de seu encontro. Boa noite! Durmam bem!”
Dormir bem…Não me lembro de ter dormido tão bem e sonhado tanto, há muito tempo! A proximidade da Cordilheira Andina é mágica, por isso a consideram como um dos chacras do planeta terra. Dela provem uma energia que, quando sintonizada, remete-nos a um estado de paz, de beatitude, de encantamento, ímpares. Ela nos envolve num estado de introspecção e comunhão com as forças que nos governam. A gente contempla os Andes e sente vontade de chorar diante de tanta beleza. A gente admira essas montanhas e não entende porque os homens precisam viver sempre em guerra, tentando subjugar seus irmãos através da força, do medo, da opressão ao mais fraco, da imposição de seus credos e doutrinas através do terror. O mundo seria outro se caminhássemos juntos exercendo o amor, a tolerância e a fraternidade, que promovem todas as transformações.
A gente observa a Cordilheira, aquieta-se de corpo e alma e se entrega aos desígnios dessa Energia Pura que nos trouxe à vida e, na qual todos somos Um.

A manhã nasceu envolta por uma neblina azulada, que caía sobre a nossa pousada em leves camadas sobrepostas, transformando o cenário numa paisagem surreal. A luz azul refletida do céu, por aquele paredão de rocha vestida de neve, era a cor daquele lugar. E é a cor deste relato.
A manhã nasceu imersa na ausência de barulhos de cidade grande: ruídos de automóveis, de pessoas, de buzinas e motores. Essa manhã brotou preenchida por alarido de pássaros, crepitar de galhos e o som dos atritos produzido pelas pisadas na neve. O cheiro bom de pão fresquinho fez com que o banho fosse muito rápido e já estávamos à postos, deliciando-nos com croissants, geleias, queijos e um inesquecível chocolate cremoso. Para nossa surpresa o salão de refeições estava tomado por hóspedes, em sua maioria bem jovens, vestidos com coloridos agasalhos e portando esquis. Saímos para dar uma volta de reconhecimento e só então nos apercebemos do quanto estávamos dentro da Cordilheira, numa espécie de clareira cercada por ciprestes e um lago enorme à nossa direita. O ar gelado nos fortificava e energizava. Caminhamos por uma alameda até o lago, sentamos-nos em silêncio e entregamo-nos à paisagem. Foi um momento de comunhão e de magia. Um momento onde cada qual mergulhou em suas próprias expectativas quanto ao significado que aquela viagem nos traria. (Ludmila Saharovsky)
(continua na próxima postagem)

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