Apetites

(Imagem Internet)

“A palavra cria o real, ou será a realidade um conjunto de alucinações?”
(Murilo Mendes)

A planta carnívora, garantiu-lhe a vendedora, alimentava-se exclusivamente de insetos.
Levou-a para casa confiante: moscas, cupins, traças, percevejos, pernilongos, nunca mais!
Adeus flite, detefon e derivados. Cresciam as folhas. Aumentava o apetite das flores, de bocas sempre escancaradas. Sumiram de casa as lagartixas. Desapareceram os periquitos. A empregada evaporou sem deixar vestígios. Parado frente à porta, treina o homem para ser mais rápido que o bote.
(Ludmila em Desenredos)

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