Exercício para treinar ausências

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Exercício para treinar ausências

Adentrar o esquecimento
e caminhar por suas ruas nuas
Sem tempo nem roteiros.
Adentrar o esquecimento
e, sem lágrimas, celebrar
o vácuo de memórias.
As pedras sobre os olhos
O silêncio sobre os lábios.
Adentrar o esquecimento
e, no limbo, anelar um verbo
virgem de sentido e ver cada coisa
renascer com novo nome e espírito
E, novamente, das trevas ver surgir a luz!
(Ludmila)

    

    Os Sentidos

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    O olhar é o primeiro que chega.
    É o primeiro que toca as paredes caiadas da memória.
    É o primeiro que se apercebe do lugar. Olhar de dentro.
    Depois, o olfato. Ele distingue os aromas já extintos: o cheiro da poeira que se acumulou nas frestas, nas cortinas esvoaçantes de filó, o sal dos oceanos entranhado nelas.
    Depois o tato. Palavras atingem a pele, os poros, rompem a carcaça da carne, penetram nas dobras do tempo e, com olhos felinos, me espreitam. Que aves de rapina comerão os restos de meu texto?
    Depois o paladar. Escrevo nesta vastidão de águas e de areia que saboreio. Palavras rompem o limo em minha boca e recobrem de saliva as letras que lhes dão vida. Apartadas de mim, cansadas de perambular pelos labirintos da mente, elas escapam e vão se alojar em novas histórias. Antes, eu as beijo na boca e então, deixo que partam. (Ludmila)

      

      Olhos de gato

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      Olhos de gato

      “Os chineses veem as horas pelos olhos dos gatos. Certo dia, um missionário, passeando no distrito de Nanquim, notou que havia esquecido o relógio e perguntou as horas a um rapazinho.
      (…) Decorridos alguns momentos, reaparecia, segurando em seus braços um gato muito gordo; e, fitando o animal, como se usa dizer, no branco do olho, afirmou sem hesitação:
      _ Ainda não é exatamente meio dia.
      E era verdade.”

      (Baudelaire)

          

        O Rio e o Mar

        James Storer: Arcos da Carioca com a Rua Matacavalos  Internet

        James Storer: Arcos da Carioca com a Rua Matacavalos Internet


        Amigos que me leem.
        Gostaria de sugerir-lhe, aos que preferem o recolhimento nestes dias de reinado de Momo, uma obra magnífica, escrita por uma pessoa que admiro muito: Tereza Campos. É um romance épico, que se passa no Rio de Janeiro, no início do seculo passado, e que tem por título O Rio e o Mar.
        Sou testemunha de seu nascimento e da vasta pesquisa desenvolvida por Tereza, para adaptar os personagens a um período histórico ímpar, onde ficção e realidade se casam e se intercalam, nos apresentando a um Rio de Janeiro que sofre todas as consequências para adaptar-se à modernidade na passagem do Império para a República recém instituída.
        Nada melhor do que a própria autora apresentar-nos à sua obra:
        Aos leitores: O Rio e o Mar em palavras breves
        O Rio e o Mar se passa em grande parte na cidade do Rio de Janeiro de 1904 e conta a vida de dois casais: as esposas cometem adultério, um marido conspira contra o governo e o outro o combate enquanto faz tráfico de influência.
        A prescrição do banho de mar, atividade somente terapêutica por essa época, é o estopim dos conflitos das esposas e a aprovação de leis de reforma urbana dá origem à trama dos maridos.
        Outros personagens enredam-se nessa teia de desejos, ambições e embates e os dramas pessoais de todos alcançam seu ponto máximo quando uma revolta popular eclode e um golpe de Estado se põe em marcha na cidade do Rio.
        Se você gosta de enredos de época, de saber mais sobre os idos de outrora, de se enveredar por temas sensíveis, inclusive aqueles relacionados ao livre-arbítrio e ao poder, O Rio e Mar é a escolha certa. Oferece-lhe cenas belas e a oportunidade de se emocionar, rir, pasmar e refletir diante de um passado que espelha questões íntimas e públicas que mais parecem as dos dias atuais.
        Boa leitura,
        A autora
        http://www.orioeomar.blogspot.com.br/2014/11/o-mar-capitulo-um-1904.html

          

          Mia Couto

          canoa
          Agora ela sabia: um livro é uma canoa. Esse era o
          barco que lhe faltava em Antigamente. Tivesse livros e ela faria a travessia para o outro lado do mundo, para o outro lado de si mesma.
          (Mia Couto)

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