Submerged Time

SOLOVKI

“I walk by the majestic cathedral built of rough stone and my soul cannot give up. Where is the salvation? Where is the time to retreat, to destroy that moment of admitted madness, feelings of numbness? Where to desperately seek for a love equal to infinity, or simply sharing the calm sunshine, the warmth of the fire, the blessing of the bread and water? From distance, the water of the Saint Lagoon is a deep cobalt blue, and it calls me, and tempts me … Come!

Then I allow myself to slide to the bottom of it, to that ancestral deepness where the night viscously prowls me, where dragons and serpents haunt me, where there are mistletoe and a deep pain that prevents me from breathing. There are so many moans. So much regret. And bones that disintegrate, and fibers that dissolve, and dull days, dull as the words that accumulate and decompose. I walk, little by little, on its muddy bottom: Persephone descending into hell to be reborn, but only death surrounds me and touches me with its icy fingers of algae. I cross nebulous spaces, where the spirals of time no longer leave their impression. Faces only, just faces intertwine in front of me. Faces which already are only memories. An irregular memory guarding within itself an accumulated time, not lived to its fullest, not exhausted, and before, aborted. A space for escape opens over my eyes: a chink of sky behind the clouds, and the sound of the bells. I let it lead me. The sound grows, grows and involves me; I walk back down the dirt street and I see two children holding hands. I approach them, and before they ask for bread, I kneel, and I involve them with my love, and only then I can absolve myself.”(Excerpt from the book of Ludmila Submerged Time)

      

    O OVO

    Lud vista por Paul

    Escrever é como tecer. É trabalho feito em tear sem que nos forneçam o esquema do desenho, o padrão a se seguir na tessitura.
    Palavras como fios correm soltas pelas linhas, unem-se aos nós dos verbos, a adjetivos, a pronomes. Vez por outra o escritor se embaraça num pensamento e ao tentar desvencilhar-se se surpreende com novos pontos que atiçam sua criatividade: surgem na escrita, então, sonhos, emoções, fragmentos de memórias que o levam a outros vocábulos, aforismas e o assunto muda radicalmente de abordagem. Ele cria novas frases, associa ideias, arremata com reticências ou uma afirmação e ao reler a frase toda comemora a conquista: afinal conseguiu expor de forma clara o pensamento!
    Curiosamente às vezes ocorre também o contrário. Olha-se para o texto-tecido e a sensação é a de que não era bem aquele produto final que se tinha em mente. Então só nos resta desmanchar tudo e reiniciar a obra.
    Propor-se a criar algo, seguir o fluxo da inspiração e transformá-lo num desenho, numa escultura, num tapete ou num texto iguala-se ao exercício de dar à luz. Esta necessidade que possuímos de perpetuar-nos no mundo é diretamente proporcional ao medo que temos de nossa finitude. Carregamos em nós este ovo latente de possibilidades criativas que precisamos conceber. Esta afirmação me leva a um sonho que tive e que quero lhes contar:
    Sonhei que estava imersa na água e dela saía vagarosamente carregando em minhas mãos em concha um ovo. Sua casca era uma membrana translúcida e firme. Uma delicadeza, iluminada por luz interna. Em seu interior estava uma jovem mulher em posição fetal. Ela me olhava com olhos desproporcionalmente grandes e eu a carregava com todo o cuidado. No trajeto tentava descobrir quem era a criatura e como o ovo foi parar em minhas mãos. Não me lembrava de tê-lo expelido, mas sentia que ele, de algum modo me pertencia.
    Repentinamente eu tropecei e caí. Do interior da membrana rompida um ser alado precipitou-se para o espaço. Mas não! Não era a mesma mulher que eu carregava. Era um pássaro feito de luz e transparências. Talvez um anjo? E dentro de si carregava um ovo perfeito, concluído.
    “Parir uma mulher é gravidez de alto risco”, ele me disse “A mulher tem mãos que levam direto ao coração e são capazes de desatar nós, qualquer que seja a tessitura”.
    Nem tive nem tempo de me assustar.
    Eu observei aquele ser dissipar-se no horizonte. E preenchida por essas sensações eu despertei.
    Que sonho estranho, vocês dirão. Mas, mais estanho ainda é esta necessidade que senti de torná-lo publico. De partilhá-lo com vocês que, no mínimo devem estar pensando aí com seus botões: “Mas isto é crônica que se escreva”?
    Por que não, se a inspiração é sempre uma aventura?

    Crônica de meu próximo livro “Cem crônicas escolhidas e alguns contos clandestino” que será lançado brevemente e foto de Paul Constantinides para a contracapa.

      

      Desejos, pássaros e flores

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      Havia desejos que sobrevoavam o jardim aguardando o momento de pousar nas flores que eu bordava.
      As linhas preenchiam pétalas e folhas, enquanto os desejos observavam minhas mãos tecedoras anelando por mais sumos e odores.
      Bordei dálias. Bordei crisântemos.Bordei jasmins.
      O pano já rescendia a mil aromas. E quando os desejos, enfim, sossegaram, uma revoada de pássaros soltou-se de meus dedos. (texto de Ludmila com Imagem de Michelle Kingdom)

           

        Quisera escrever-te um soneto

        poema liquefeito
        Quisera escrever-te um soneto
        mas me faltam rimas.
        Vestida de palavras
        penetro no silêncio
        que nas estrofes reina
        e, em meio às linhas
        surge teu nome
        liquefeito.
        Ele abre-se em mim
        flor de algodão e arpejos
        e o poema nasce, rutilante.
        Ele escorre feito mel e me alimenta.
        Só assim consigo concebê-lo:
        Em transe!

        (Ludmila)

          

          Ternura antiga

          corpo mulher

          Ternura antiga

          Eu te convido à minha casa. Entra!
          Pousa teu olhar sobre as videiras.
          Eu as plantei para saciar-te a sede.
          E o pão também é teu
          São teus o vinho e o lume.
          Para consagrar-te nao construi altares
          Só te falei numa linguagem pura
          E a essencia do amor selou o entendimento
          E teu corpo estremeceu dessa ternura.
          (Ludmila)

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