Bordo, logo existo!

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Vivo um tempo de retomada. Retorno às mesmas mãos bordadeiras que guardei junto aos retalhos de cânhamo amarelado, onde, agulha e linha fixava pontos trêmulos ensinados por dona Rodeska, professora de artes manuais. Íamos, linha a linha materializando matizes e arabescos que depois alinhavávamos num caderno de capa grossa. Ele perdeu-se junto com a minha adolescência, em alguma dobra do tempo.
Tarefas do século passado, relembro, saudosa, mas que resgato no presente.
Bordo. E o vai e vem contínuo da agulha penetrando o pano, me relaxa. É um mantra que pratico com as mãos. Com linhas coloridas avanço: passo a passo. Traço a traço. Bordo Maria. Ela, deixada por último sobre a mesa, entre tantos outros riscos, ficou pacientemente à minha espera, na manhã ensolarada do parque. Bendito atraso, o meu! Penso e me emociono, acrescentando mais uma flor, mais um ramo, mais um detalhe. Há de sair bela! Agradeço à inspiração da artista que a criou e sigo. Ponto a ponto.Sem pressa. Desligada de tantos problemas que nos afligem, entro em outra sintonia: a da prece. Bordar também é uma forma de oração. Ave Maria! (Ludmila)

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