Ensaio número 2 para o cultivo de desencontros

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O que tenho eu para ofertar-te, pergunto, as palavras ressequidas em minha boca.
O que tenho para entregar-te a não ser a fantasia de minha presença em teu cotidiano, neste exercício de tantos desencontros.
O que tenho para dar-te de mim, que não sejam cicatrizes e um lanho à altura do umbigo, indicando a saída dos filhos que pari, há tantos anos… Há tantos anos!
Como fazer-te saber de cada uma de minhas pegadas: algumas nítidas, outras arrastadas por marés que quase me levaram junto, e às quais sobrevivi por teimosia, por desatino, por deixar-me flutuar neste mar da vida que ainda me sustenta em seu barco frágil!
Como oferecer-te o amarrotado de minhas lembranças, os sonhos liquefeitos pelo tempo e este limo escuro que recobriu minhas tantas esperanças e desejos?
Ah! Eu cavalguei por desertos e ravinas, usei bússolas desnorteadas e perdi-me de mim, em tantos labirintos…
Hoje só tenho para doar-te este silêncio brusco recoberto de arrependimento, que não mais consegue te encontrar!
(Ludmila)
imagem retirada do site: http://instagram.com/p/ZrONRzyK4D/

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