Adeus, Zé!


(imagem do jornal O Lince)

Ontem nosso Vale ficou mais pobre.
Zé Demétrio partiu como sempre viveu, sem frescuras. Foi assim: vapt-vupt!
Artista autodidata, caipira valeparaibano, como se auto intitulava, o barro em suas mãos transmutava-se em arte. Arte pura! Do barro para o metal e depois para estruturas de concreto foi um passo natural. Suas obras eram compostas por uma alquimia que ele guardava em segredo: barro misturado a resinas e corantes resultava num material duro, colorido, resistente e leve. Seu sonho: Empregá-lo na construção de casas populares em formato circular, semelhantes a iglus. Várias vezes mostrou-nos seu projeto. Tão fácil de realizar…Ficou no sonho!
Amigo querido, fraterno, desprendido (presenteava seus amigos com suas esculturas, assim, simplesmente!) sempre grudado no Mestre Justino, Demétrio trabalhava e inventava sem parar.
Leitor voraz de Krishnamurti ( filósofo místico indiano) ele nunca perseguiu a fama. Quem quisesse saber dele que o procurasse no sítio à beira da Dutra onde vivia e materializava seu talento.
Quantas vezes nos sentamos à mesa, juntos, e partilhamos café com causos, descobertas, sonhos, filosofia e histórias desse nosso Vale que ele tanto amava. Tanto amava que o enfeitou com suas esculturas que podem ser vistas em Aparecida, Taubaté, Guaratinguetá, Redenção da Serra e Jacareí. Em Jacareí, presenteou o Templo Rosacruz da cidade com uma belíssima mandala incrustada no piso do salão de recepções que, infelizmente, não foi conservada nas reformas pelas quais o templo passou, mas, como ele sempre dizia: “O prazer maior é a gente ver a obra sair dessas nossas mãos rudes, criar, colocar em ação o talento que Ele nos deu.”
Adeus, Zé! A vida, nesses últimos anos afastou-nos um pouco, fisicamente, mas você permaneceu e ficará imortalizado em suas obras, e no coração desses amigos que não o pranteiam hoje, pois sabem que o espírito é imortal!
Feliz Vida Nova, aí em meio a essas esculturas etéreas que tantas vezes você fitou (“Veja o cavalo nas nuvens…É perfeito!”) e que o recebem hoje, livre, leve e solto!
Beijos, meu querido e dê nossas lembranças ao Justino, ao Guima Pan, ao Ênio Puccini, ao Luiz Beltrame, ao Johann Gutlich, ao Kuno, ao Leonino, ao Anderson Fabiano e a tantos outros amigos que já andam por aí!
Saudades, Zé! Saudades!
Ludmila

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    8 pensamentos sobre “Adeus, Zé!

    1. Oi Ludmila!
      Lembro-me tanto do Zé Demétrio, do Adão Silvério,
      do Justino, da Carolina com os filhos (eram Cristina, Demetrinho e Téca, não eram?) reunidos lá na fazenda de seu sogro. Foram tempos memóráveis! Quanta saudade!

      A. Marcio

    2. Um amigo querido, um grande artista, um homem que fez da arte sua religião, para nosso deleite! Adeus,Zé! Crie agora nas alturas!

      Anderson Luiz

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