Ah…as palavras!

Então, tudo começou por aquela levíssima embriaguez de troca de palavras.
Matéria de memória ancestral, as palavras eram a alegria extrema, como a sentida quando se sacia a sede com água fresca que jorra da fonte.
Água viva eram aquelas palavras, remetidas, consentidas, raras, que se transformavam em frases, sentenças, enredos, confidências, promessas.
Eram água rara, aquelas palavras: claras, diziam mais nas entrelinhas; metafóricas induziam ao pensar; intuídas remetiam ao falar, ditas, criavam sonhos e fantasias.
Mas, na fala às vezes se perdiam, escapavam no fôlego, no alento. Diluíam-se porque a distância impedia-os de sorve-las, de interioriza-las, de recolhe-las feito flores num cesto, feito pássaros no alçapão, feito peixes na rede, feito memórias num livro.
Ah! Caprichosas as palavras, delicadas, doces, escorriam pelo texto feito mel, às vezes. E outras, ditas, criavam armadilhas de desassossego.
O fato é, que eles foram seduzindo-se pelas palavras, tanto, que hoje não conseguem delas prescindir, assim, vivem enredados um no outro, à espera de que essa escrita nunca se rompa, nem se esgarce…(Ludmila Saharovsky)

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